Novidades no VMware vSphere 6 – Lançamento no PEX 2015

Aconteceu em Fevereiro em São Francisco/Califórnia o evento anual da VMware para parceiros, o VMware Partner Exchange 2015 (VMware PEX), e a grande novidade foi o lançamento da versão 6 do seu hypervisor, o vSphere 6.

Além das tradicionais novidades de aumento de capacidade, algumas novas funcionalidades prometem tornar o trabalho mais ágil e fácil, alguns destaques:

  • Instant Clone – permite a criação de clones até 10 vezes mais rápido, isso é importante em ambientes onde são implantados novos servidores frequentemente, como ambientes de desenvolvimento de software ou VDI, ou mesmo na implantação de um novo ambiente, ou ainda para criar ambientes de testes e homologação para aplicações existentes.
  • Melhorias no vMotion – agora é possível fazer vMotion entre 2 vCenters, ou entre Datacenters diferentes com rede IP roteada (antes era necessário uma conexão layer 2 entre os hosts para isso funcionar) que tenham até 100ms de latência, é o suficiente para movimentar uma máquina virtual entre dois continentes diferentes.
  • Fault Tolerance para até 4 vCPUs – antes limitado a apenas 1 vCPU não tinha muita aplicação no mundo corporativo, agora com até 4 vCPUs, permite que aplicações extremamente críticas possam utilizar esse recurso para proteger os dados e principalmente as operações com zero downtime. Também passa a estar disponível nas versões de entrada com 2 vCPUs (Standard), anteriormente só estava disponível na versão top e mais cara do VMware (Enterprise Plus).
  • Virtual Volumes – esse novo recurso deve mudar totalmente como o ESX trabalha com volumes. Sendo uma das iniciativas do Software Defined Storage, substitui a visão anterior que era orientada a LUNs e Volumes para uma visão orientada a máquina virtual, unindo todos os volumes em uma única camada e definindo nas máquinas virtuais as políticas para que as mesmas possam ser alocadas automaticamente no Storage correto (de acordo com custos e performance desejada).
  • O vCenter Appliance finalmente contem todas as funcionalidades da versão Windows, como suporte a SRM, IPv6, PowerCLI, Linked Mode, isso deve simplificar os ambientes, além de tirar a obrigatoriedade de uma licença Windows para executar o vCenter Appliance.
  • Content Library – permite criar uma biblioteca com templates de VMs, arquivos ISOs, Virtual Appliances (OVF), scripts e outros recursos que podem ser usados para criar novas máquinas virtuais, antes esses recursos ficavam ocultos da interface principal, apenas ocupando espaço em disco, agora fica mais simples e fácil de localizá-los.

O único detalhe ruim é a desativação por padrão do TPS (Transparent Page Sharing), que era um recurso interessante para economia de memória. Ele ainda pode ser ligado, mas realmente não tem mais a mesma utilidade com os sistemas operacionais modernos como Windows 8 e Windows 2012 como tinha na época do Windows XP e 2003. Caso o ambiente tenha bastante máquinas virtuais com sistemas operacionais legados, esse recurso ainda pode ser útil.

A nova versão suporta máquinas virtuais com até 128 vCPUs e 4Tb de memória, mas não significa que porque é possível, essa configuração seja recomendada… uma máquina virtual desse tamanho merece ser transformada em um host físico nas capacidades de hoje em dia, e um host com essa capacidade está além da capacidade de aquisição de 99% das empresas do Brasil.

Para mais detalhes, consulte o Press Release oficial, ou esse resumo com diversos artigos cobrindo as novas funcionalidades.

Para quem já pensa em upgrade, vale a pena consultar esse artigo com recomendações, e para quem estava ensaiando para fazer a prova, vale correr para fazer a prova agora, enquanto ainda é da versão antiga que vinha estudando, a atualização da prova está previsa para poucos meses e obrigará o candidato a dominar as novas funcionalidades, o que pode obrigar o candidato a mais tempo de estudo.

ERRATA Mar/2015: tínhamos informado que o vSphere Client para Windows iria ser descontinuado e não mais poderia ser usado para administrar o vCenter. Essa informação era baseado nas versões Beta do produto, no lançamento oficial o vSphere Client passou a ter suporte ao vCenter normalmente, exceto nas novas funcionalidades lançadas a partir da versão 5.1, que só são gerenciadas a partir do vSphere Web Client. Mais informações nesse artigo.

Sobre o autor
Fernando Ulisses dos Santos
Diretor de Tecnologia na Blue Solutions
Especialista em Segurança da Informação
Certificado VCP-DCV, VCAP-DT, VCP-DT
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Como funciona a Virtualização de Servidores?

Virtualização de Servidores, como já explicamos nesse outro artigo, é uma forma de dividir os recursos de um servidor físico em vários servidores virtuais, também chamados de máquinas virtuais, de modo que possa executar diversos sistemas operacionais no mesmo hardware físico, isolados entre si.

Funciona da seguinte forma:

1. Aquisição do servidor

Um servidor físico vem com recursos físicos instalados de fábrica, entre eles: CPU, memória, discos, conexões de rede e conexões a SAN:

Servidor

Um servidor moderno tem muito mais recursos do que os softwares são projetados para usar e é comum recursos como CPU e memória ficarem ociosos em alguns servidores, enquanto outros servidores tem gargalos.

Aí que entra a virtualização, no lugar de vários servidores de pequeno porte para diversas aplicações, é melhor investir em um servidor de maior porte e compartilhar os recursos entre os servidores virtuais sob demanda.

2. Instalação do Hypervisor

No servidor físico é instalado um sistema operacional básico, que possui a capacidade de dividir o hardware em pequenas partes. Esse sistema operacional é chamado de hypervisor.

Servidor com Hypervisor Instalado

Quanto menor for o espaço em disco e memória usada por esse hypervisor, mais recursos sobram para as máquinas virtuais, menor é a chance de ter problemas de código no hypervisor e menor são as paradas para manutenção do mesmo.

3. Criar as Máquinas Virtuais

O hypervisor simula dentro de cada “fatia” do hardware um novo hardware, que são chamadas de máquinas virtuais. Os discos ficam armazenados em arquivos dentro do sistema operacional do hypervisor, enquanto que a CPU e memória são alocados sob demanda.

Servidor com Hypervisor instalado e Máquinas Virtuais criadas

Cada máquina virtual pode ter capacidades diferentes de acordo com a necessidade, enquanto uma pode ter mais memória, a outra mais processador e a outra mais espaço em disco, cada uma dividindo uma fração do servidor original.

Na configuração de rede dos hypervisors mais avançados é possível dividir o tráfego e priorizar de acordo com a máquina virtual.

4. Instalação do Sistema Operacional dentro das Máquinas Virtuais

Dentro de cada máquina virtual pode ser instalado um sistema operacional diferente, de acordo com a necessidade. Cada um estará isolado dos demais, enxergará apenas os recursos que lhe foram dedicados e se comportará como se estivesse instalado em uma máquina física comum:

Servidor com Hypervisor e Máquinas Virtuais Instaladas

O hypervisor fica responsável por dividir os recursos entre as máquinas virtuais. Alguns recursos podem ser alocados em maior quantidade do que existe de verdade (over provisioning).

Por exemplo, um servidor com 10Gb de memória pode ter 7 máquinas virtuais com 2Gb de memória cada, o que totalizaria 14Gb, desde que essas não usem todo o recurso ao mesmo tempo; o hypervisor garante que nas situações de disputa, algumas máquinas virtuais tenham preferência de execução (maior prioridade).

5. Conectar a uma SAN (Storage Area Network)

Em um ambiente empresarial com Alta Disponibilidade, as máquinas virtuais ficam armazenadas em uma SAN, que nada mais é do que um local de armazenamento (Storage) compartilhado entre os servidores. A SAN pode ser virtual, nesse caso é chamada de VSAN.

Uma SAN pode ser implementada também com um Storage dedicado, nesse caso, o equipamento possui toda a redundância necessária para garantir a alta disponibilidade do ambiente.

O fato de agregar os discos em um ponto único permite algumas facilidades de gerenciamento, além de poder distribuir a performance mais uniformemente e definir prioridades entre as máquinas virtuais.

Virtualização com SAN em modo de Alta Disponibilidade

 

6. Usando a SAN para manutenção programada de servidores

A SAN armazena os arquivos das máquinas virtuais, sendo assim, as máquinas virtuais podem ser desligadas de um servidor e ligadas em outro servidor sem necessidade de reinstalar o sistema operacional e aplicativos, ou de copiar arquivos entre os servidores físicos.

Também, dependendo da configuração e licenciamento, é possível migrar a máquina virtual entre um servidor e outro sem desligar, esse recurso é chamado de vMotion, Live Migration ou XenMotion de acordo com o fabricante do hypervisor e permite a manutenção de um servidor físico sem downtime (parada) do ambiente.

Manutenção programada com Virtualização

 

7. Crescendo o ambiente

Quando o ambiente cresce, basta adicionar mais servidores ou espaço de Storage e todo o ambiente se beneficia. Pode-se crescer o ambiente em quantidade de máquinas virtuais, capacidade das máquinas virtuais, servidores físicos ou espaço no Storage. Cada servidor físico novo adiciona mais poder de processamento, memória e conectividade com a rede, enquanto que mais discos no Storage adicionam espaço em disco e mais performance de IOPS.

Crescendo o ambiente com Virtualização

 

8. Resiliência do ambiente contra quebras

No caso da quebra física de um dos servidores, as máquinas virtuais podem ser acessadas e ligadas nos demais servidores; se estiver corretamente configurado, esse processo acontece automaticamente, sem necessidade do operador intervir, esse recurso é chamado de HA (High Avaliability) ou Alta Disponibilidade e permite que as máquinas virtuais voltem ao trabalho em poucos minutos.

Alta Disponibilidade (HA) automática com Virtualização

 

Conclusão

Esses são apenas alguns dos benefícios da virtualização de servidores. Para ver mais, leia a matéria sobre os 12 Benefícios da Virtualização no Datacenter.

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